A escalada de tensões no Oriente Médio e a alta do barril de petróleo, com preço por volta de US$115, pressionam de forma expressiva os custos da logística internacional. Só em outubro, foram registrados 28 ataques a navios cargueiros no Estreito de Ormuz. Essa insegurança nas principais rotas marítimas encarece o valor dos fretes globais e coage o mercado de diesel, afetando diretamente as despesas de transporte.
No Brasil, essa incerteza externa colide com fortes limitações logísticas internas. No Porto de Santos, navios que transportam fertilizantes nitrogenados chegaram a registrar esperas de 30 dias para atracação, segundo a S&P Global. O gargalo operacional ocorre mesmo em um momento de retração no volume de cargas, já que as importações nacionais de ureia e sulfato de amônio caíram 21% nos primeiros nove meses de 2026.
Para o presidente do Fiorde Group, Mauro Lourenço Dias, a falta de previsibilidade requer um mapeamento rápido de opções. "Não é possível controlar o preço internacional do petróleo ou o que acontece em uma rota marítima, mas é possível controlar o grau de preparação da empresa. Quem conhece seus custos, fornecedores, contratos e alternativas logísticas consegue reagir mais rapidamente quando o cenário muda", destaca.
O aviso é fortalecido pela Antaq, que classifica os conflitos geoeconômicos e as falhas globais de suprimentos como os maiores riscos para os portos do país até 2035.

