O Irã iniciou a cobrança de taxas de trânsito em alguns navios comerciais que têm em sua rota o Estreito de Hormuz, reafirmando o controle que Teerã possui sobre o mais importante corredor marítimo de energia do mundo. A providência é entendida como uma tentativa de explorar financeiramente o controle estratégico que Teerã exerce sobre o estreito.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, pagamentos de até US$ 2 milhões por viagem estão sendo pedidos esporadicamente, o que acaba criando um pedágio informal na rota. Por serem negociações sensíveis, as pessoas concordaram em falar sob condição de anonimato.Alguns navios já teriam pago, embora ainda não esteja claro como a cobrança é feita e não haja um padrão sendo seguido.
Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, Teerã tem restringido a passagem de embarcações consideradas ligadas a seus adversários ou a aliados destes países. O Estreito de Hormuz é a rota de transporte por onde passa até um quarto do petróleo global e, em alguns casos, de volumes ainda maiores de outras commodities petroquímicas, essenciais não só para a economia, mas também para o funcionamento básico de indústrias em todo o mundo.
A Índia, que conseguiu fazer com que quatro navios transportando gás liquefeito de petróleo (GLP) saíssem do Golfo Pérsico pelo estreito, afirmou que as leis internacionais garantem a liberdade de navegação no estreito e que nenhum país pode cobrar taxas pelo uso do canal.
Na semana passada, um membro do parlamento iraniano afirmou que uma proposta para tornar obrigatório que outros países paguem ao Irã o uso do Estreito de Hormuz como rota segura de navegação, está avançando no parlamento.
Para produtores árabes do Golfo, mesmo um pedágio informal não é aceitável, dizem fontes, por levantar questões de soberania, abrir precedentes e aumentar o risco de que uma rota vital para suas exportações de energia seja usada como arma política.
