O diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, afirmou que o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia poderá redefinir o papel do Porto de Santos no comércio internacional.

Atualmente, o porto movimenta cerca de 180 milhões de toneladas por ano. Com a consolidação do acordo e a redução de barreiras tarifárias e regulatórias, a expectativa é que o volume possa alcançar até 400 milhões de toneladas nas próximas décadas, praticamente dobrando a atual capacidade operacional.

Segundo Pomini, a integração entre os blocos econômicos não representa apenas aumento de exportações e importações, mas um reposicionamento estratégico das cadeias globais de suprimento. O Brasil tende a ampliar sua participação no comércio exterior, especialmente em commodities agrícolas, proteínas, minérios, celulose e cargas industrializadas.

Esse novo cenário deve intensificar o fluxo de contêineres, granéis sólidos e líquidos, além de ampliar a presença de armadores internacionais nas rotas com destino ao continente europeu. Para o gestor, Santos se consolida como o principal hub logístico da América do Sul.

Preparação estrutural

Diante desse possível salto de escala, a Autoridade Portuária já trabalha em uma agenda de investimentos estruturais. Entre as prioridades estão o aprofundamento e alargamento do canal de navegação, expansão da poligonal portuária, ampliação de áreas retroportuárias e modernização dos sistemas operacionais.

O avanço tecnológico também é considerado estratégico, com foco em digitalização de processos, integração de dados logísticos, eficiência energética e redução de custos operacionais.

Pomini avalia que o acordo Mercosul-UE pode representar o início de um novo ciclo histórico para o Porto de Santos, consolidando o terminal como peça central da infraestrutura brasileira no cenário global.