Na sessão desta quarta-feira (2) da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Fagner Calegário (Podemos) fez um pronunciamento contundente, dividindo sua fala entre duas pautas de grande relevância: a inauguração do Centro de Rio Branco, voltado ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), e uma denúncia sobre o atraso de pagamentos de trabalhadores terceirizados da Secretaria de Estado de Educação.
Inauguração do Centro de Atendimento Multidisciplinar a Autistas
O parlamentar iniciou seu discurso destacando o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, conforme calendário da ONU, e comemorou a inauguração do Centro de Rio Branco, um projeto que, segundo ele, foi um sonho idealizado e concretizado por meio de uma emenda de quase um milhão de reais.
“Hoje, a gente fez a inauguração do Centro de Rio Branco, um projeto sonhado e idealizado, que agora vai possibilitar o atendimento de mais de 80 famílias na nossa capital. E esses atendimentos vão funcionar de forma multidisciplinar”, afirmou.
O novo centro de atendimento contará com fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais especializados, e não atenderá apenas crianças, mas também adolescentes e adultos com TEA. “Aqui, muitas vezes, temos a visão equivocada de que apenas crianças têm TEA. Mas não é assim. Hoje, temos adolescentes e adultos com o transtorno, e esse centro vai oferecer suporte para todos eles e suas famílias”, destacou Calegário.
Cobrança por salários atrasados e críticas ao governo
Após a pauta positiva, o tom do discurso do deputado mudou. Ele passou a relatar a grave situação dos trabalhadores terceirizados da Secretaria de Estado de Educação, que estariam enfrentando atrasos salariais e dificuldades financeiras. “Os colaboradores da Secretaria de Educação estão pedindo socorro. Tenho tentado conversar com o secretário de Educação, mas parece que quando o problema aparece, o secretário some”, denunciou.
Segundo Calegário, há trabalhadores do transporte escolar, serviços gerais e limpeza que não receberam o auxílio-alimentação e estão ameaçando paralisações. “Ontem, fui procurado por funcionários do transporte escolar na Regional de Porto Acre, que informaram que vão parar porque não estão recebendo. Da mesma forma, trabalhadores da limpeza relatam que a empresa X ainda não fez o pagamento”, afirmou.
O deputado acusou o secretário de Educação de ignorar os parlamentares e evitar o diálogo. “Parece que agora que vai ser candidato, não atende mais os deputados. Mas o mandato ainda está em vigor e só termina em 2028! ”, disparou.
O parlamentar também denunciou que o governo estadual estaria devendo mais de R$ 50 milhões a empresas terceirizadas que, por sua vez, não conseguem pagar seus funcionários em dia. “Hoje, o governo do Estado deve para empresas que pagam seus colaboradores corretamente mais de 50 milhões de reais. Enquanto isso, a CESAC corta trabalhadores porque diz que não tem recurso”, criticou.
Fagner Calegário foi além e disse que os trabalhadores estão sendo coagidos a não protestar, sob ameaça de demissão. “Se eles se manifestam, o que acontece? Rua! Se reclamam, são cortados. Então, tem que passar fome calados? Voltamos à época da escravidão? Bota no tronco, dá peia, ripa? O que é isso?!”, questionou.
Para finalizar, o deputado cobrou a abertura de um canal de diálogo com o governo para solucionar o problema. “Peço encarecidamente: vamos abrir um canal de conversa. Sempre estivemos prontos para dialogar, mas precisamos resolver essa situação urgentemente”, concluiu.
texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale