Em 2024, o Brasil viu uma reconfiguração em sua balança comercial, com destaque para a troca de liderança nas exportações.
A soja, que dominou as vendas externas nos dois anos anteriores, perdeu sua posição de destaque para o petróleo. Isso ocorreu devido à redução da safra de soja, que resultou em menor quantidade disponível para exportação, afetando diretamente o volume e o valor das transações internacionais do país.
No entanto, o petróleo, impulsionado pelo aumento nos preços internacionais, alcançou números expressivos, consolidando-se como o principal produto exportado, com um crescimento de 5,2% em comparação ao ano anterior.
A soja ainda manteve uma participação significativa nas exportações brasileiras, mas sua queda de 11,04% no valor exportado foi um reflexo de uma safra reduzida e da instabilidade nos preços das commodities. Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), se houver uma recuperação na safra de soja e nos preços internacionais, o produto pode recuperar sua posição no topo do ranking em 2025.
No entanto, é importante observar que, apesar do aumento de 3% no volume exportado, o valor das exportações brasileiras caiu 0,8% em 2024, o que reflete uma queda generalizada nos preços de várias commodities essenciais.
Além das mudanças nos produtos exportados, também houve variações notáveis nos destinos das exportações brasileiras. A Argentina, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, registrou a maior queda, com uma redução de 17,6% no valor exportado, totalizando US$ 13,78 bilhões. Em contrapartida, o Canadá teve um crescimento robusto de 9,43%, alcançando US$ 6,31 bilhões, destacando-se como um dos mercados mais promissores para os produtos brasileiros.
Veja ranking dos produtos mais exportados em 2024:
Posição | Produto | Valor (em milhões de dólares) |
1 | Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus | 44.842,76 |
2 | Soja | 42.941,65 |
3 | Minério de ferro e seus concentrados | 29.845,78 |
4 | Açúcares e melaços | 18.631,30 |
5 | Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) | 11.690,27 |
6 | Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada | 11.657,32 |
7 | Café não torrado | 11.337,47 |
8 | Celulose | 10.610,04 |
9 | Farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais | 10.407,87 |
10 | Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas | 9.081,04 |
A região da China, Hong Kong e Macau, que ainda lidera o ranking de destinos das exportações brasileiras, sofreu uma queda de 9,27%. Contudo, essa queda não impediu que o valor exportado para essa região continuasse significativamente superior ao destinado à União Europeia, que ocupa a segunda posição no ranking de destinos.
Esse cenário reflete uma mudança de dinâmica no comércio global, com algumas regiões mostrando sinais de desaceleração, enquanto outras, como o Canadá, se destacam como mercados em crescimento.
O ranking de destinos continua com destaque para os Estados Unidos, seguidos pela Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que inclui países como Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã. A Comunidade Andina das Nações, composta por países como Colômbia, Peru e Equador, também se mantém relevante, ocupando a sétima posição no total das exportações brasileiras.
Esse panorama das exportações em 2024 revela como fatores climáticos, variações nos preços internacionais e mudanças na demanda de mercados específicos estão moldando a economia brasileira. O petróleo, que substitui a soja no topo das exportações, indica um ajuste nas prioridades comerciais do país, enquanto a adaptação aos novos destinos mostra a flexibilidade do Brasil frente a desafios globais.
Veja ranking dos destinos das exportações:
Posição | País ou bloco comercial | Valor em 2023 em milhões de dólares | Valor em 2024 em milhões de dólares |
1 | China, Hong Kong e Macau | 105.766,04 | 95.962,44 |
2 | União Europeia | 46.299,28 | 48.227,68 |
3 | Estados Unidos | 36.915,46 | 40.330,06 |
4 | ASEAN | 24.394,52 | 26.378,75 |
5 | Mercosul | 23.561,75 | 20.238,92 |
6 | Argentina | 16.712,21 | 13.778,18 |
7 | Com. Andina de Nações | 9.927,38 | 8.430,60 |
8 | México | 8.571,68 | 7.801,79 |
9 | Canadá | 5.772,28 | 6.316,85 |
10 | Japão | 6.620,22 | 5.578,00 |
11 | Coreia do Sul | 5.640,64 | 5.508,09 |
12 | Rússia | 1.343,31 | 1.450,25 |
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