SANTOS/SP – Em um movimento estratégico que acendeu o debate no setor portuário, a Maersk, segunda maior armadora mundial, fez um apelo público contra restrições à participação de companhias de navegação no leilão do Tecon Santos 10. O megaprojeto, avaliado em R$ 5,6 bilhões, promete transformar o panorama logístico nacional ao dobrar a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina.
Danilo Veras, vice-presidente de Políticas Públicas e Regulatórias da Maersk para América Latina, foi enfático: "A verticalização não é inimiga da concorrência. Pelo contrário, pode trazer mais investimentos e eficiência". A declaração surge em um momento crucial, com a Antaq finalizando a consulta pública sobre o edital antes de enviá-lo ao TCU para avaliação final.
Por Que o Tecon Santos 10 é Tão Estratégico?
1. Capacidade Recorde
O novo terminal terá capacidade para 3,5 milhões de TEUs/ano - equivalente a 50% da movimentação atual de todo o complexo santista. Com pátios para 1,2 milhão de contêineres e cais de 1.470m, será o maior arrendamento portuário da história do Brasil.
2. Timing Crítico
O Porto de Santos opera no limite:
Atualmente movimenta 4,8 milhões de TEUs/ano
Projeção de demanda: 7 milhões até 2030
Sem o novo terminal, risco de gargalos já em 2025
3. Nova Geopolícia Portuária
O cenário mudou radicalmente desde 2022:
Santos Brasil foi adquirida pela francesa CMA CGM
Wilson Sons passou para o controle da MSC
BTP já é operada por Maersk+MSC
O Debate sobre Verticalização: Protecionismo x Eficiência
Argumento da Maersk
Experiência internacional mostra que terminais operados por armadores têm maior produtividade
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Modelo "bandeira branca" não aumentou a concorrência como esperado
Restrições podem desestimular investimentos de players globais
Contrapontos
Preocupação com concentração de mercado
Receio de conflito de interesses (armador x operador)
Necessidade de garantir acesso igualitário a todas as linhas de navegação
"Não se trata de impedir armadores, mas de garantir condições isonômicas", defendeu um executivo do setor que preferiu não se identificar.
Próximos Passos e Impactos no Mercado
O leilão, previsto para novembro de 2023, será um divisor de águas:
- Potencial de atrair novos serviços de linha
- Redução de custos logísticos para exportadores
- Posicionamento do Brasil nas rotas globais
Especialistas alertam que qualquer mudança no modelo após a fase de consulta pública pode atrasar o cronograma em até 6 meses - justamente quando o porto mais precisa desta nova capacidade.
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Este texto foi desenvolvido pela redação do Jornal Portuário, para engajar o público do setor portuário e logístico, com informações exclusivas.
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